quarta-feira, 6 de julho de 2016

Cidadezinha de Klin e Museu de Tchaikovsky

Olá amigos. No caminho entre Moscou e Tver há uma pequena cidade, quase na divisa entre as duas oblast (estados) que visitei e falo como é por lá. Ela se chama Klin.

Estação de Klin em janeiro de 2016
Bom, como disse, a cidade de Klin (Клин) fica na fronteira do território de Moscou, a 85 quilômetros da capital russa. No passado essa cidade parece ter pertencido à Tverskaya oblast, mas como aconteceu com Zaraysk por exemplo, Moscou incorporou essa cidadezinha a seu território. Segundo alguns registros, ela foi fundada em 1317 e possui cerca de 79 mil habitantes. De verdade há pouco para ver nessa cidadezinha. Um ou outro monumento aqui e ali, o memorial aos que faleceram na segunda guerra mundial e o que sobrou do antigo kremlin. Em algumas partes ele (o kremlin) até virou um conjunto de lojinhas. Ficou até legal para falar a verdade. Enfim, não há muito mesmo. O que há de mais interessante por lá realmente é o museu do compositor de música clássica russo mais conhecido chamado Piotr Ilitch Tchaikovsky (Пётр Илич Чайковский).

Um pouco do que sobrou do kremlin local
Para chegar à cidade, saindo da capital, você precisa ir até a estação Komsomolskaya (Комсомольская) na linha vermelha ou na linha marrom (circular) do metrô de Moscou. Lá você sai da estação, atravessa a rua e vai até a estação Leningradskaya, de onde saem os trens para São Petersburgo. Lá você deve comprar um bilhete para Klin e você tem duas opções: ir de elektritchka comum (que são so trens para médias distâncias), que para em muitas estações, que leva mais ou menos 1 hora e 45 minutos para chegar lá e é mais barato ou ir com a Lastotchka, que é o trem rápido que vai para Tver. Ele viaja a cerca de 130 km/h e chega em Klin em no maximo 50 minutos, mas é mais caro. Depende do que você quer e do seu tempo e dinheiro disponível. Eu recomendo a Lastotchka, porque além de rápida, é silenciosa e mais confortável. E de lá não é tão longe para uma outra cidade interessante e das mais antigas do país (e onde já estive) chamada Veliky Novgorod.

A imponente entrada do Museu-Casa de Tchaikovsky
Chegando em Klin, você pode escolher se vai andar pela cidade (e apenas ver prédios residenciais e um ou outro monumento) ou ir direto ao museu de Tchaikovsky. Inclusive na própria estação você já encontra um busto ao compositor. Para ir ao museu, na própria estação há um pequeno terminal no qual você pode pegar o ônibus que passa próximo ao museu. Mas não é qualquer ônibus não, é o número .... Esse é o que passa lá (ou perto). Você desce na parada "museu Tchaikovsky" e volta até a proezd Demyanovsky. Chegando a ela, você vai seguindo por ela até encontrar o museu, que é bem grande. Você vai chegar pela lateral, então é, só ir seguindo o muro até chegar à entrada. Existe também uma outra entrada, que fica indo para o outro lado do ponto de ônibus, mas nem sempre essa entrada está aberta, então, melhor ir a outra. Você pode ir andando também, mas é longe. O Google diz que você leva 37 minutos mais ou menos, mas na verdade você vai levar uns 45 ou 50. No inverno é difícil por causa do frio e da neve e no verão por causa do calor. Mas, se você gosta de andar, também dá.

Essa é a casa onde ele viveu
Falando sobre o museu em si, posso dizer que eu esperava um pouco mais dele pelo preço cobrado (500 rublos para estrangeiros e mais 150 para tirar fotos). O museu divide-se em dois prédios. O primeiro principal, tem algumas salas, mas elas eram apenas para palestras, banheiro e outras salas assim. Você precisa sair desse prédio principal, andar por um jardim onde há uma grande estátua do compositor que, apesar de ter o seu museu lá, passou apenas um pouco mais de um ano lá (se não me engano por volta de 1892/93) e entra na casa onde viveu o músico. Ela tem dois andares e parece que ele acabou de sair para dar uma volta e logo volta. A casa não é tão grande e, logo que você entra, tem que subir umas escadas de madeira para ir até a parte do museu em si, que fica no segundo andar. Quando você sai da escada, chega a uma grande sala, com móveis antigos, sofás, o piano que ele provavelmente tocou alguma coisa e, na parede, em um canto, tem umas fotos do ilustre residente morto, antes de ser enterrado. Algo meio sinistro, mas as fotos são bem antigas, então, não dá para ver muito bem. Uma coisa muito ruim é que os quartos parelelos estão abertos, mas você não pode entrar neles! Nas soleiras das portas estão umas correntes que não deixam você entrar. E nem são muitos na verdade. Uns dois são como quartos onde ele dormia, uma sala com uma lareira, algo parecido com uma cozinha e só. A casa dele, que deveria ser algo bem melhor, tem apenas isso para te mostrar. Decepcionante, eu diria. O museu até oferece visitas guiadas em russo, inglês e alemão (e talvez mais línguas), mas que já custa nem sei quanto. Nem me interessei em saber na verdade.

A (única) sala do museu que você pode andar livremente
É isso amigos. Eu diria que só vale a pena visitar esse museu e, por consequencia, a cidade de Klin, se você é um ardoroso fã de Tchaikovsky. Se apenas gosta um pouco ou nunca ouviu falar dele, acho que não terá muito que fazer por lá. Mas claro que você decide se vale a pena ou não. Até a próxima!

Museu-casa em homenagem a P. I. Tchaikovsky
Endereço: Ulitsa Tchaikovskogo, 49, Klin, Moskovskaya Oblast', Rússia
Horário de funcionamento: de sexta a terça, das 10:00 às 18:00 (embora o Google diga o contrário). Quarta e quinta: fechado
Preço: 500 rublos para estrangeiros e 250 para russo. 150 rublos para tirar fotos
Telefone: +7 496 245-81-96
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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Como e quais são os documentos dos russos

Carteira de motorista russa ligeiramente alterada e explicada
Olá você que me acompanha sempre ou caiu aqui por acidente. Falarei para você hoje sobre quais e como são os documebtos que o russo médio possui para ser considerado um cidadão em pleno exercício de seus direitos legais garantidos pela constituição da Federação Russa.

Alguns documentos são exatamente os mesmos que temos no Brasil ou em qualquer outro lugar, embora com formato e lay out diferentes. Alguns deles são certidão de nascimento, carteira de motorista, cpf, passaporte para viagens internacionais etc. Entretanto, há alguns documentos que podem parecer algo estranhos a um brasileiro comum. Na verdade eu diria que os mais diferentes são passaporte interno e a carteira de trabalho. Vamos a eles então.

Passaportes russos. Interno (esq.) e internacional (dir.)
Passaporte interno - se no Brasil usamos o RG que contém os dados básicos da pessoa, os russos têm um passaporte interno. Ele se parece com o passaporte internacional, com o brasão do país na capa e letras em dourado. Mas o passaporte interno tem a capa bordô, quase marrom clara, que vai ficando quase preta com o passar dos anos. Nele estão a foto e dados da pessoa, como no nosso RG. Além dessas informações há outras coisas como estado civil e o endereço onde ela está registrada. Por isso meus alunos (e todos os outros russos) não entendem nada quando aparece um "comprovante de endereço" em alguma atividade que fazemos nas aulas, já que não pode haver prova maior do endereço de alguém do que o que está no seu documento mais importante. Os russos tiram seu primeiro passaporte aos 14 anos. Antes disso eles usam a certidão de nascimento. Depois trocam o passaporte aos 25 anos e depois trocam pela última vez aos 45. Exceto nesses períodos, a pessoa permanece com o mesmo passaporte. As mulheres podem trocar a qualquer momento que se casem e troquem de sobrenome. Se a pessoa vai morar em outra cidade, ela mudará de endereço. Nesse caso ela não troca de passaporte, apenas muda seu local de registro.

Carteira de trabalho russa e sua primeira página
Carteira de trabalho - carteira de trabalho dos russos também tem a capa azul, mas em vez da cor escura e plastificada, ela pode ser azul clara ou azul escura e a capa é de um papel mais grosso, parecido com uma cartolina sem revestimento plástico. Em russo ela se chama Трудовая книжка (Trudovaya knijka - livrinho de trabalho). O mais incrível é que você não precisa ir a uma repartição oficial para obter uma. Você a compra nas bancas de jornais. Isso mesmo, nas bancas de jornais você compra uma. E qualquer um pode comprar. Pode até ser um suvenir, por que não? Por dentro ela é mais resumida que a CTPS brasileira e o seu empregador fica com ela por todo o período que você trabalha para ele. Você só torna a vê-la no momento que sai do trabalho e assina os papéis de desligamento da empresa. 

O CPF de um russo
Título de eleitor - os russos não têm um título de eleitor propriamente dito. Eles já sabem onde devem ir votar e no dia das eleições eles se dirigem a esse local (que, como no Brasil, pode ser uma escola ou uma universidade) e mostram seu passaporte. Lá eles recebem um papel comprovando que eles estiveram lá e votaram, como no Brasil. O voto não é obrigatório na Rússia, então, não há multa caso a pessoa não compareça às urnas. Esse é um dos documentos que os russos menos entendem para que serve quando lhes digo como ele é e que no Brasil, se você levar apenas o seu título de eleitor, sem documento com foto, você não vota. Ao passo que, se levar apenas um documento com foto e não levar o título, vota sem problemas. Na verdade eu também não entendo bem para que ele serve (na verdade sei: só para te atrapalhar, caso você não o tenha).

Cartão da previdência - o cartão de previdência russo é um cartão de papel e que pode ser plastificado, como era o antigo CIC (lembra?). Até a cor é meio parecida, um pouco cinza e esverdeada. Em russo ele se chama пенсионное страхование (pensionnoye strakhovannye - seguro de previdência). Esse cartão contém o seu número de previdência e é importante para a sua aposentadoria (que como no Brasil, vai mal das pernas).

E esse é o cartão de previdência
CPF - o CPF russo, que se chama ИНН - Индивидуальный номер налогоплательщика (INN - individualny nomer nalogoplatelshchika - número individual do contribuinte) é bem diferente do braisleiro. É uma folha de papel A4 com um monte de informações. Quando mostro o CPF brasileiro as pessoas dizem "que interessante, o nosso deveria ser assim também". Ele serve para você conseguir pargar alguns impostos. E só. Talvez por isso tenho a impressão que ele tenha um importância um pouco menor comparado com outros.

Bom, por ora é isso amigos. Se tiver alguma pergunta sobre os documetnos dos russos, pode perguntar. Vou fazer o melhor para responder. Até a próxima!
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sábado, 25 de junho de 2016

O metrô de São Petersburgo

Olá amigos. Eu gosto muito de trens e tudo relacionado a eles. Quando chego a uma cidade e ela tem metrô, já dou um jeito de ir experimentá-lo. Usei bastante o metrô em São Perersburgo e lhes conto como ele é.

Mapa do metrô de São Petersburgo
A primeira linha do metrô de São Petersburgo foi inaugurada em 1955. Como foi a primeira da cidade e foi fundada nos tempos socialistas, é lógico pensar porque a cor dela é vermelha. Outras foram sendo construídas e entregues à população ao longo dos anos, sendo a última linha nova a lilás, de 2008. Hoje são cinco linhas, respectivamente de 1 a 5: vermelha, azul, verde, laranja e lilás. Não há uma linha circular que liga diversas linhas como no metrô de Moscou, mas não parece ser necessário (apesar de parecer que estão esboçando algo assim, com a linha 6, marrom). No centro da cidade as linhas são todas bem ligadas e em uma mesma estação pode ter até três linhas diferentes. Isso é bom, mas, como no metrô moscovita, quando a estação está em uma linha, ela tem um nome e quando está em outra linha, tem outro nome. E é a mesma estação, estão no mesmo lugar. Algo meio estranho para mim, mas parece ser comum na Rússia. O metrô de São Petersburgo já me parece bem completo mas continua em expansão. Três estações na linha lilás estão em construção e há projetos para a construção de novas linhas que levem para outras partes da cidade mais afastadas do centro.

Parece uma estação de metrô? Também não acho.
Mas sim, é. É a Tekhnologuitchesky Institut
Pelo que pude ler depois, devido as características geológicas da cidade, o metrô de São Petersburgo é muito fundo. As longas escadas rolantes levam até dois minutos para te levar da plataforma até a rua e vice-versa. Em uma estação que agora me fugiu o nome, o tempo na escada foi de 2:20 (cronometrei). Quando você entra na escada rolante, você não vê o seu final, seja para cima ou para baixo. E leva algum tempo até que você consiga ver o final da escada. Alguns ficam impacientes e descem andando, mas subir não vi ninguém subindo. Nas minhas pesquisas encontrei que a escada rolante mais longa do mundo fica no metrô de São Petersburgo, na estação Admiralteiskaya (Адмиралтейская), na linha lilás. Ela tem 137,4 metros de comprimento e entrou para o Guinness Book desde a sua inauguração, em 28 de dezembro de 2011. E o estilo das escadas nas estações antigas centrais é parecido com o de Moscou, com suas lâmpadas arredondadas entre as escadas que sobem e descem. Nas estações mais novas, como em Moscou, as estações são menos artísticas e mais funcionais e modernas, com boa iluminação e luminárias em formato de globo. 

Clássico interior de vagão de metrô russo
Os trens utilizados no metrô de São Petersburgo são iguais aos utilizados no metrô de Novosibirsk e no de Moscou. Não sei exatamente quando eles foram construídos, mas eles têm uma cara de anos 70 e 80. São azuis escerdeados por fora com um friso branco. Por dentro os bancos são de estofado marrom e os bancos são todos um ao lado do outro. Não existem bancos fazendo ângulo, só uma longa fileira encostado às paredes do vagão. Ele é muito barulhento e no verão é meio quente (acredito que seja frio no inverno). Existem alguns trens mais novos, mas eles ainda são poucos, como em todo o país. Eles têm bancos brancos em plástico duro e tem estofados no assento e no encosto. São um pouco melhores que os mais antigos, mas nem tanto também.

A mais longa escada rolante do mundo!
O preço do metrô em São Petersburgo até esse momento (2016) é de 35 rublos. Uma coisa que é melhor que o metrô moscovita é que os cartões utilizados para destravar a catraca/roleta não são de papel e descartáveis, mas feitos de plástico e recarregáveis. Isso eu acho muito bom e me parece ser mais econômico. Diferentemente do metrô moscovita, você não um monte de cartões velhos jogados para todo lado. Também é possível comprar mais de uma passagem de uma vez. Você paga mais barato quando compra 10, 20 ou mais passagens de uma vez do que uma por uma. Mas tem que ficar atento porque eles têm uma validade limitada. Se você compra 10 viagens, por exemplo, elas são válidas por uma semana. Deixo aqui para vocês o link do site do metrô deles para você conferir os preços e validades (em inglês): preços de metrô de São Petersburgo

É isso amigos. Se tiver alguma pergunta, posso tentar responder, mas recomendo ver primeiro o site di metrô que coloquei aí acima. Até a próxima!
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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Tver: minha primeira decepção na Rússia

Olá amigos! Nas férias de janeiro estivemos em Tver duas vezes, mas só resolvi escrever sobre esse lugar agora. Olha só o que encontramos por lá.

Moscou (embaixo e com pontos vermelhos) - Tver (lá em cina)
Para começar, Tver (Тверь) é uma cidade antiga (foi fundada em 1136) e fica a noroeste da capital russa. No passado ela era uma cidade muito rica e poderosa por conta do comércio, que era favorecido por sua posição estratégica, bem no meio do caminho entre Moscou e Veliky Novgorod, as duas cidades mais importantes do território russo na idade média, quando a Rússia ainda não era um país unificado. Os comerciantes de Veliky Novgorod passavam por Tver e sempre faziam negócios com os locais e depois rumavam para Moscou. O mesmo se dava na rota inversa. Além disso, os comerciantes de Novgorod iam até bem ao sul, já na Grécia, para fazer negócis e sempre tinham em Tver um ponto para fazer mais alguns negócios. Ironicamente, Tver teve a mesma sorte que Veliky Novgorod quando Ivã IV, o Terrível chegou ao poder: a cidade foi brutalmente tomada de assalto e incorporada contra sua vontade à Rússia unificada sob o comando de Moscou. Em 1931 a cidade foi renomeada para Kalinin (Калинин), que é o nome de um importante revolucionário soviético que está inclusive enterrado na necrópole do kremlin de Moscou. Em 1990 a cidade retomou seu nome antigo e desde então se mantem como Tver.

Lastotchka que faz o trajeto Moscou - Tver
Chegar lá não é tão difícil. Você tem diversos ônibus que atendem essa rota e a viagem dura de duas horas e meia a três horas. Você também pode ir de elektrichka, que é o trem para distâncias médias da Rússia. Como ela para em diversas estações, a viagem dura cerca de 2 horas e 40 minutos. Ela custa mais ou menos 370 rublos. A opção que usamos e que eu recomendo é ir de Lastotchka (Ласточка) que é o trem rápido semi-expresso para Tver. Ele é muito mais confortável e mais vazio que a elektrichka, além de ter banheiro. Ele para em apenas 3 estações na rota Moscou-Tver e em 7 no sentido contrário. Com isso, o tempo de viagem diminui para uma hora e trinta minutos. O preço é de 480 rublos, mas vale a pena pagar mais caro por ele. Essa Lastotchka pode atingir até 150 km/h, mais que o dobro de uma elektrichka.

O bonito teatro de drama de Tver
Falando de Tver propriamente dita, eu diria que foi o primeiro lugar onde eu me decepcionei na Rússia por dois fatores principais. Primeiro porque é muito caro hospedar-se por lá (os hoteis eram todos acima de 3500 rublos por diária), mas isso dá para contornar. Segundo,m e principal motivo, quando você consulta as atrações da cidade pela internet, como o museu da região de Tver (Краеведческий музей) e outras coisas mais, você simplesmente descobre que elas mudaram de lugar quando você chega nelas. E nem sempre o novo endereço está indicado. Quando está, é normalmente para um lugar muito longe de onde era o original. Ou seja, se você está consultando as atrações de lá, tenha muito cuidado, porque você pode ser surpreendido. Uma das poucas coisas que continua no mesmo lugar é o teatro de drama, que é bem grande e bonito, mas, se você não vai assistir nada nele, você só ve as portas e fachada, onde dá para tirar uma foto. Ali perto há um enorme prédio que na data da minha visita (janeiro de 2016), estava fechado e em reformas. Ao lado desse prédio em reformas (que, se me lembro bem, era um palácio da imperatriz Catarina II, a Grande) está o estádio do Volga de Tver, que está na terceira divisão do campeonato russo de futebol. Ele estava aberto e dava para entrar, mas tinha neve para todo lado, então, não tinha nada acontecendo por lá.

O "governo" retirando pescador do Volga congelado
A melhor coisa que fiz por lá foi atravessar a pé o rio Volga, o mais longo da Europa, de uma margem a outra, já que ele estava totalmente congelado. Mesmo que em alguns pontos o gelo parecia mais fraco e até estalava, deu para passar por ele numa boa. Ainda perto da margem do Volga há uma igreja com sinos e um monumento a um cara chamado Afanasi Nikitin (Афанаси Никитин), que ia à Índia em tempos muito antigos para trazer especiarias e relatava que lá ele viu pessoas com cabeça de cachorro (quê?) e outras loucuras mais. Além disso, vi uma enorme igreja em estilo ortodoxo que fica bem ao lado da estação de trem da cidade. Não cheguei a entrar nela, mas já imagino o que iria encontrar lá dentro, já que visitei muitas igrejas por aqui. Usei também o serviço de bondes, que é bem moderno e legal por lá. Os ônibus são apenas mais ou menos, como os de Tomsk. Perto da estação tem restaurantes de diversos cardápios, incluindo fast foods... enfim, não tenho muito o que dizer sobre a cidade porque as coisas que eu procurava haviam sido movidas para outros lugares e eu nem tinha ideia para onde foram. 

Acho que é isso amigos. Não tenho muito o que dizer sobre Tver, porque realmente não fiz muito por lá. Se você mora, está ou já esteve por lá, comente aqui e me diga o que eu perdi. Gostaria de mudar a má impressão que tive da cidade, se possível. Até a próxima!
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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Matryoshka: aquela bonequinha da Rússia

Olá caros amigos. Hoje quero falar para vocês sobre algo que quem é familiarizado com a cultura russa conhece muito bem: a matryoshka.

Alguns personagens importantes da Rússia
A matryoshka  (матрёшка), que no Brasil também chamam por matriosca, é  aquela bonequinha feita de madeira que você vai abrindo e tirando várias outras bonequinhas cada vez menores uma de dentro da outra. As menores têm duas ou três bonecas. A maior que lembro de ter visto tinha dez! Elas são muito decoradas e normalmente mostram um mulher em roupas tradicionais russas dos séculos XVIII e XIX. Mas nem sempre as matryoshkas são mulheres. Tenho uma em casa que a maior é um pinheiro de ano novo, a segunda é um Ded Moroz, o "papai Noel russo" e a terceira e menor é um boneco de neve. Minha esposa gosta muito dessa matryoshka. Eu ganhei de presente de dia do homem das minhas alunas uma matryoshka que em vez de uma mulher tem desenhos de ursos nos quatro bonecos que a compõe. Bem bonitinha a matryoshka, posso dizer.

A matryoshka original de Malyutin
A história da matryoshka começa no fim do século XIX, quando havia um grande movimento social para promover a cultura popular russa, em detrimento da importação de cultura de outros países, especialmente da França. Para ajudar a alavancar a promoção da cultura, foi fundada uma oficina para a produção de brinquedos tipicamente russos. Pelo que entendi, nessa oficina havia um cara chamado Malyutin, que era um pintor e representante do "estilo russo", que predominava nas artes naquele momento. Ele foi o idealizador da matryoshka, inspirado em um boneco japonês que pertencia à esposa de um homem chamado Mamontov. Malyutin desenhou como seria a versão russa desse boneco, com roupas tradicionais da mulher russa e encarregou um homem chamado V. Zvyozdotchkin de tirar a ideia do papel e colocar na prática. O boneco japonês mostrava de um velho e dentro havia outros bonecos. A versão de Malyutin tinha uma mulher com um sarafan (vestido tradicional russo), uma blusa bordada, um xale florido, um avental e um galo preto nas mãos. Dentro havia um menino. Dentro dele uma menina e assim sucessivamente até chegar ao último boneco (oitavo), que era um bebê enrolado em panos. Todos os bonecos eram diferentes. A partir daí a ideia da matryoshka começou a se popularizar até se tornar o que é hoje, uma das marcas registradas da Rússia. Hoje em dia ela é feita com a mesma técnica utilizada por Zvyozdotchkin e é produzida predominantemente de tília, mas às vezes pode ser feita de bétula também.

Matryoshka de 37 peças que encontrei na Wikipédia russa
O nome matryoshka não foi escolhido por acaso. Desde antes dos tempos do desenvolvimento do brinquedo até a revolução socialista, Matryona era o nome mais comum entre as mulheres do campo. Os russos sempre desenvolvem um apelido para seus nomes e havia versões do nome Matryona como Matryosha, Matryoshka etc. O nome Matryona vem da palavra mater (матер) que é uma palavra antiga para "mãe". Com o passar do tempo, Matryona acabou sendo associado às mulheres que tinham muitos filhos e que tinham boa saúde e formas bastante arredondadas, que era o padrão estético da mulher russa do campo daqueles tempos, ao qual a matryoshka faz jus (ela é bem redondinha). A matryoshka também é um símbolo de fertilidade e da maternidade. Como disse no começo do parágrafo, esse nome não foi escolhido à toa.

Museu da matryoshka em Serguiev Posad
A matryoshka é um presente bem legal para se trazer para as pessoas quando você volta de uma viagem à Rússia. Em Moscou e São Petersburgo elas são mais caras, mas essas cidades são mais caras em tudo, não apenas no preço da boneca. Normalmente seu preço varia entre 300 e 600 rublos, mas você pode encontrar algumas de 5000 rublos ou mais, depende do que é feita a matryoshka, de quantos bonecos ela tem dentro, como e com o que ela é decorada etc.

Por ser algo tão marcante da cultura russa, algumas (várias) cidades têm um museu dedicado ao brinquedo. Sei sobre museus de matryoshka em Moscou que fica na Leontyevsky Pereulok, uma travessa da Bolshaya Nikitskaya, a rua da embaixada brasileira em Moscou, mas o museu e a embaixada não ficam próximos; em Nijny Novgorod, em Nolinsk (Kirovskaya Oblast), Kalyazin (Tverskaya Oblast), Voznesenskoe raion (Nijegorodskaya Oblast) e em Serguiev Possad, uma cidadezinha ao lado de Moscou e que é terra natal de Zvyozdotchkin.

É isso amigos. Quando estiver pela Rússia, considere comprar uma para levar de recordação da sua viagem. Ela é a cara da Rússia. Se tiver alguma pergunta ou comentário, deixe aqui embaixo. Até a próxima!
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segunda-feira, 6 de junho de 2016

A embaixada brasileira em Moscou

Olá pessoal. Semanas atrás precisei dos serviços da embaixada brasileira em Moscou e lhes conto como foi essa experiência.

O bonito prédio da embaixada
Primeiro: por que eu precisei ir à embaixada? Eu precisava de um passaporte novo, porque o meu antigo expiraria em janeiro de 2017. E eu não poderia colocar um visto de trabalho de duração de um ano em um passaporte que expiraria em seis meses. Além disso, seis meses antes do seu passaporte vencer, ele já não vale mais nada.

Tudo isto posto, telefonei para a embaixada e perguntei o que deveria fazer. Eles me pediram para mandar um email ao setor consular solicitando o agendamento de um horário de atendimento. Mandei o email e eles marcaram uma hora para mim (11:00 da manhã). Claro que a minha maior dúvida era quanto tempo levaria para ficar pronto. Para a minha surpresa me informaram que o passaporte fica pronto no mesmo dia, em mais ou menos meia hora. Só precisava levar um requerimento de solicitação de passaporte preenchido no computador, que você encontra no site do Itamaraty, ou clicando aqui (só ir lá embaixo em "iniciar novo requerimento"), uma foto 3x4 com fundo branco e sem sorriso (isso é importante, algumas pessoas querem sorrir nas fotos oficiais e isso não pode), seu passaporte antigo e pagar 400 reais-ouro (quando fui tirar o meu em maio de 2016 isso equivalia a 9600 rublos). Não é um grande trabalho de verdade, só tem mesmo que aguardar um pouco e logo você tem o seu passaporte novinho em folha e o melhor, válido por 10 anos.

Prédio enorme em frente à estação
A par de todas a informações, comprei um bilhete de Tomsk para Moscou. Para a minha sorte havia uma promoção especial para o período e voei barato, mas definitivamente não gostei de ter que ir correndo para lá para fazer isso e depois voltar para Tomsk. Especialmente por causa das 4 horas de voo e as muitas antes e depois nos aeroportos. Mas deu tudo certo, ainda bem.

Falando sobre a embaixada/consulado em si, ele fica na rua Bolshaya Nikitskaya, 54 (улица Большая Никитская, 54), bem perto da estação Barrikadnaya (Баррикадная), na linha lilás do metrô de Moscou. Saindo da estação você vê um prédio muito alto (em russo chamado vyssotka - высотка) e de cor bege. Quando você o vê bem de frente, significa que você está no caminho certo. É só virar à esquerda e seguir pela calçada na tua Barrikadnaya (Баррикадная ул.) até o cruzamento com uma avenida larga chamada Sadovaya-Kudrinskaya (Садовая-Кудринская ул.). Não tem semáforo nesse cruzamento, mas você pode virar à esquerda e vai encontrar uma passagem subterrânea para o outro lado dessa Sadovaya-Kudrinskaya. Já do outro lado da rua, volte um pouco nela, até o ponto do cruzamento com a Barrikadnaya. Chegando aí, vocé estará em frente a rua Malaya Nikitskaya (Малая Никитская ул.).  É só continuar em frente que a próxima é a sua rua. Dá para ver a bandeira brasileira da entrada da rua. Então, não acho que você terá grande problemas para chegar lá. Uma outra rota possível é vir caminhando desde a Praça Vermelha, mas essa rota é mais comprida. Na mesma rua ficam a embaixada do Egito e da Espanha (ambas parede com parede com a brasileira), em frente estava a da Tanzânia (temporariamente, por conta de reformas na embaixada deles) e mais à frente pude ver a da Turquia, mas me contaram que tem mais ao longo da mesma rua.

De acordo com o Google você anda 10 da estação até lá
O lugar onde está instalada a embaixada e consulado (a diferença entre eles, pelo que entendi, é que a embaixada é o órgão de relações políticas entre os países e o consulado é lugar que atende os reles mortais) é um complexo de três prédios, todos grandes, antigos e bem bonitos. Para entrar você precisa tocar o interfone e avisar que quer ir ao setor consular. Pelo que me contaram existe em Moscou algo como um "bairro da embaixadas". Elas ficavam espalhadas pela cidade, mas foram reunidas em um lugar só. Poucas embaixadas não ficam nesse lugar (que não sei onde é). Perguntei se a embaixada brasileira também iria para lá e me disseram que não. José Sarney comprou os três prédios da embaixada e agora eles são propriedade do tesouro nacional. Ele negociou com o governo soviético e adquiriu a área. Primeiro pensei qe não havia sido uma boa ideia, mas depiis, considerando melhot, percebi que foi uma coisa noa, porque o que o governo iria pagar de aluguel nesse lugar (e no bairro das baixadas) desde aquela época, seria mais do que ele gastou para comprar os prédios. Então, no final das contas, descobri algo de bom que o governo Sarney fez para o Brasil.

O que me levou correndo a Moscou
Ao entrar, você vira primeiro à direita e depois à esquerda dentro do quintal da embaixada e entra em um dos três prédios. Sobe as escadas e no primeiro andar, à esquerda, está o setor consular. Lá você entrega os documentos mencionados acima, paga (com dinheiro, eles não aceitam nenhum tipo de cartão, cheque, transferência bancária ou qualquer outra coisa que não seja dinheiro vivo) e espera. Depois de alguns minutos algum funcionário te chama para colher as digitais e pede para você aguardar mais um pouco. Alguns minutos depois, seu passaporte está pronto. Você o assina, eles tiram uma cópia dele assinado e te devolvem o seu passaporte antigo, já invalidado. Uma coisa que te perguntam é se você já registrado na embaixada. A maioria diz que não. Eles te pedem para se registrar para fazer a sua vida (e a deles também) mais fácil quando precisar de algum auxílio do setor consular. A ideia é para, em um futuro a médio prazo, ter um cadastro único dos brasileiros no exterior e que pode ser acessado de qualquer ligar do planeta. Se você concorda em se registrar, eles te dão um papel, você preenche com sua informações e devolve para eles. No requerimento diz que você precisa de uma foto, mas não é algo obrigatório. Conversei rapidamente com um funcionário do consulado e ele disse que eles não conseguem mensurar quantos brasileiros vivem em território russo, porque as pessoas não precisam entrar em contato com nenhum órgão do governo quando se estabelecem no país e eles só ficam sabendo da existência dessas pessoas quando elas buscam ajuda na embaixada/consulado. O funcionário também me disse que eu era o primeiro de Tomsk que aparecia por lá e que o mais impressionante para ele foi um cara que vive na ilha Sacalina, no extremo oriente, que fica ao norte do Japão e precisou de algo do consulado. Ele mme perguntou se havia mais brasileiros em Tomsk e eu disse que sim. Ele pediu para eu lhes dizer para entrarem em contato com o consulado para se registrar e, se possível, qualquer brasileiro que eu conheça, entrar em contato também. Então, se você do Brasil, mora na Rússia e ainda não falou com eles, entre em contato. Eles são boa gente. :)

Essa fui eu que tirei, bem ao lado da entrada
É isso pessoal. No geral, fui muito bem atendido e tive um tempo agradável por lá, mesmo que estava indo para resolver trâmites burocráticos. Todos me atenderam muito bem e até demos algumas risadas lá (algo que não imaginei que aconteceria). Se tiverem alguma pergunta, é só deixar um comentário aqui embaixo, ou mandar um email para eles. Até a próxima!

Embaixada brasileira em Moscou:
Ulitsa Bolshaya Nikitskaya, 54, Moscou, Rússia.
Horário de atendimento: segunda à sexta, exceto feriados, das 10:00 às 18:00. Fim de semana: fechado
Telefone: +7 (495) 363 03 66
Email: consulado.moscou@itamaraty.gov.br

P.S. Desculpem os erros de digitação. Ainda não me acostumei a escrever textos tão longos no celular.


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terça-feira, 31 de maio de 2016

Datcha, a casa de campo dos russos

Olá amigos! Amanhã começa oficialmente o verão aqui na Rússia. Então falarei de algo muito tradicional entre os russos nesse período que são as casas de campo, que eles chamam de datcha. Vou te dar uma ideia de como elas são.

Uma datcha clássica
A datcha (дача) é uma pequena casa, normalmente feita de madeira (ultimamente estão aparecendo mais casas de alvenaria) e que fica, claro, fora das cidades, para descansar nas férias, depois de um período de trabalho duro. A tradição das datchas já é bem antiga entre os russos (embora seja difícil de precisar uma data exata de quando ela começou). No entanto, nos tempos do império somente as pessoas ricas tinham datchas, para onde eles fugiam por algum tempo, para "tomar um ar" no verão. Nesses tempos não havia uma classe média e, afora os ricos, só existiam pessoas pobres na cidade e camponeses. Nenhum desses tinha condições de ter uma datcha. Com a aparição da União Soviética, a ideia da datcha foi popularizada e as pessoas ganhavam um pedaço de terra e nele construíam a sua datcha (talvez por isso elas eram de madeira muitas vezes). Nos tempos da URSS, quase todas as famílias tinham uma datcha. Após a queda do colosso socialista ficou muito mais difícil ter a sua própria datcha. Então, é comum que pessoas por volta de 50 anos tenham suas datchas (as que não venderam, claro), ao passo que os mais jovens, na faixa dos 20 ou 30 anos, não tenham. Como todos dão maior prioridade a comprar uma casa ou apartamento do que uma casa de campo, a compra de uma datcha é postergada ou, em muitos casos, sequer considerada.

Um dia na datcha, na visão de muitas pessoas
As datchas podem ficar perto de alguma vila ou em lugares mais remotos. Algumas poucas vezes elas podem estar perto de estações de trem, mas isso é algo um pouco raro. Então, a melhor maneira de chegar a elas é de carro. Os ônibus para esses lugares são bastante escassos e irregulares. As casa em si são mais ou menos como as casinhas feitas por pessoas que não sabem desenhar. As pessoas vão para lá a partir do fim da primavera e param quando já começa a esfriar no outono e o inverno vai chegando. Ninguém mora por meses lá. Elas vão para passar o fim de semana, fazer um churrasco, tomar umas cervejas, passear pelas florestas, recolher cogumelos, curtir a natureza de qualquer outra maneira e também para fazer reparos na própria datcha. Enfim, é um lugar para relaxar, assim como as pessoas no Brasil vão para a casa na praia e não ficam lá por meses nem moram lá (bom, algumas moram). Mas, já me disseram também que na verdade as pessoas não conseguem descansar nas datchas, já que sempre plantam algo, têm alguma coisa para consertar ou reformar, mudam alguma coisa, então, acabam trabalhando mais que relaxando. De qualquer maneira, é diferente.

Depois de trabalhar duro na datcha, é sempre bom descansar
Alguns me perguntam se dá para morar na datcha. Não dá. Principalmente no inverno. Primeiro, porque as datchas não têm aquecimento central. Você até pode construir uma lareira para se aquecer, mas, quando você vai cortar a lenha para ela? Você não pode simplesmente ir para a floresta derrubar árvores para a sua lareira, como os camponeses faziam antes. Além disso, dependendo do lugar, também não há água encanada. Tem que abrir um poço e viver dele. No inverno vai ser difícil de viver lá. Enfim, não é possível viver permanentemente em uma datcha. Ela não tem estrutura para isso. Ela serve para se passar um tempo apenas, quando se está quente. Se você vai construir uma casa com a estrutura necessária para viver sempre nela, você vai gastar muitos rublos e será difícil (para não falar impossível)  arranjar um trabalho perto da sua casa. Sem contar que, morando para sempre lá, ela deixa de ser uma datcha e vira uma casa. Aparte tudo isso, há o problema legal: você não pode se registrar em uma datcha. Os russos precisam se registrar em um endereço (falarei sobre isso no futuro) e o governo não registra pessoas em datchas, apenas em casas de povoados.

Por enquanto é isso. Espero que depois desse post as pessoas parem de perguntar se dá para viver numa datcha. Se tiver alguma outra pergunta, é só comentar aqui embaixo. Até a próxima!
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terça-feira, 24 de maio de 2016

Operadoras de telefone celular (móvel) na Rússia

Olá senhoras e senhores. Hoje em dia é bem fácil ter o seu próprio SIM Card e os telefones normalmente são desbloqueados. Então, quando chegar à Rússia, eu te recomendaria comprar um para facilitar a sua vida. Mas, quais são as operadoras de telefonia móvel da Rússia?

As 4 principais operadoras de telefonia móvel da Rússia
Para começar, posso dizer que os números de telefone russos sçao um pouco mais curtos que os números brasileiros. Os números de telefone russos começam pelo código internacional do país, que é +7 ou com 8. Qualquer um dos dois pode ser, mas nunca os dois juntos. Depois, vem o código da região (se for um telefone fixo) ou o número da operadora (se for um celular), sempre dentro de parênteses. Depois vem o número do telefone em si. Dependendo da região ele pode ter seis ou sete números. Acho que falar com exemplos é melhor. O número de telefone da embaixada brasileira em Moscou, por exemplo, é 8 (495) 363-03-66. Você pode trocar o primeiro 8 por +7 se você estiver na Rússia. Se estiver fora da Rússia, não dá para usar o 8. Dentro dos parênteses está o número da região de Moscou, já que esse telefone é fixo e os outros sete números são o número de telefone do lugar. Se você vai telefonar de um fixo em Moscou para este número, você não precisa colocar nem 8 nem (495). Mas, se você vai ligar para um celular, sempre precisa dos códigos antes do número. Falemos agora rapidamente das operadoras.

Modelo de "Babushkafon" ou "telefone para a vovó"
Basicamente, como acontece no Brasil, existem as quatro operadoras "grandes". Elas são: Beeline, Megafon, MTS e TELE2. Além dessas, existe uma quinta operadora que vem crescendo bastante nos últimos tempos chamada Yota. Cada uma tem suas particularidades e peculiaridades. Se essa é a primeira vez que você ouve falar dessas operadoras, vou tentar dar uma pequena introdução a elas para você. Se já as conhece, talvez eu diga algo que você não sabia... ou talvez você me dirá algo que não sei (o que é muito bem-vindo). Vamos a elas então.

Beeline (Билайн ™) - uma das maiores operadoras do país junto com a MTS. Quase todos têm um SIM da Beeline ou da MTS. Isso acontece por causa da sua grande cobertura de voz, mesmo em regiões mais remotas e o que não falta na Rússia são regiões remotas. Muitas vezes quando fico sem sinal começo a procurar por alguma rede e quase sempre encontro uma fraca da Beeline e às vezes da MTS. Os serviços de internet são bons, segundo me falam, mas eu nunca testei.

Hoje é difícil encontrar um desse pela Rússia (como no Brasil)
Megafon (Мегафон) - apesar de ser uma das mais conhecidas e utilizadas (diria que é a terceira maior), não conheço ninguém que tenha um SIM Card dela. Pelo que me contam, os serviços dela são mais ou menos parecidos com os das outras operadoras convencionais.

MTS (МТС) - é apenas uma questão de percepção minha, mas, essa MTS me parece a maior operadora russa. Muitas pessoas têm um SIM Card dessa operadora e ela é a que tem mais quiosques e lojas em shopping centers e nas ruas, pelo que percebi. Eles têm uma boa cobertura de voz (se entendi bem, a melhor) e alguns planos que podem ser itneressante para outros MTS. Além disso, se você usar o seu SIM brasileiro, provavelmente ele entrará em roaming com a MTS. Ao menos o do meu irmão, que é um Vivo, mostrava como parte da rede MTS.

TELE2 (ТЕЛЕ2)  - eu usava o SIM dessa operadora e bem, nem sei dizer o que ela tem de diferente das outras. É uma operadora com boa cobertura de voz e dados mas nunca, NUNCA consegui usar o 4G que ela diz que oferece para os clientes. Mas, com 100 rublos por mês eu podia usar internet ilimitada e dava direito a 30 minutos de graça para outro TELE2 e SMS a 2 rublos (se não me engano não usei nenhuma vez).

Na minha opinião, a melhor operadora
Yota - de todas as operadoras nacionais, é a menor. Na verdade ela é a menos conhecida, por ser mais recente. Pelo que eu entendi, eles usam uma tecnologia diferente (não me pergunte qual porque não sei qual é, mas não tem nada a ver com Nextel) que te permite telefonar para todo o território russo sem roaming. Isso é realmente muito bom, especialmente no caso da minha esposa, que mora na Sibéria, mas tem toda a família na parte europeia do país. Ela usava os serviços da MTS e eu da TELE2, mas ambos trocamos para Yota. Além dessa vantagem do roaming, dependendo da sua tarifa mensal (na região de Moscou é 450 rublos, aqui em Tomsk é 230 rublos) você ganha 100 minutos gratuitos de voz para outro Yota, SMS a 1,90 rublo cada, além de internet ilimitada em 4G, sem restrição de megas urtilizados! Para mim a troca foi ótima. Minha esposa também está bastante satisfeita. Então, se você quer uma dica de SIM Card para usar na Rússia, eu te recomendaria usar os serviços da Yota. E uma última vantagem é que os números deles são normalmente fáceis: começam com +7 (999)

As outras operadoras são menores. Geralmente são apenas locais. Tanto que eu com dificuldades me lembro de algumas, como a Delta (de São petersburgo), Astarta, Uralvestcom e outras. Basicamente, os russos têm uma das quatro primeiras operadoras, mas a Yota vem crescendo (mando um obrigado para o meu aluno Vlad que me falou sobre essa operadora, porque não estava feliz com a minha).

É isso senhoras e senhores. Para maiores detalhes sobre tarifas e coisas assim, melhor consultar diretamernte as operadoras ou algum amigo russo (a) que você tenha, além de saber quais serão suas necessidades quando estiverem na Rússia (voz, dados, SMS etc). Se você tiver alguma pergunta, pode mandar que eu tentarei responder. Só não me pergunte quanto custa não sei o quê porque não trabalho em nenhuma operadora então, não sei nada de preços. Até a próxima!
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terça-feira, 17 de maio de 2016

Casarão dos boiardos Romanov em Moscou

Olá amigos. Vou falar sobre um lugar em Moscou, perto da Praça Vermelha, um casarão grande, mas que fica escondido. Esse casarão foi a residência da família de boiardos Romanov. Conseguimos encontrá-la e conto para você o que ela tem.

Mesa preparada para o jantar dos Romanov
Algumas perguntas que podem ter aparecido lendo o parágrafo acima. Primeira: como um casarão pode ficar escondido? Bom, sim. A casa fica abaixo do nível da rua e não dá para vê-la de lá. Você tem que descer alguns lances de escada e andar por dentro de um pequeno bulevar que tem uma igreja e algumas lojas. Esses lugares te confundem e te fazem pensar que você está no lugar errado. Na verdade só encontramos o museu porque eu queria muito usar o banheiro e encontramos um lugar que parecia um guichê (depois de procurar muito e já quase desistir de encontrar o tal casarão). Então, quando vimos o guichê, fomos perguntar se poderíamos entrar só para eu usar o banheiro quando de repente percebemos que era a bilheteria do museu. Males que vêm para bem. Segunda: o que são boiardos? Boiardos eram as famílias nobres mais importantes do Império Russo. Nos tempos da dinastia Ryurikevich eles eram muito mais influentes sobre o mandatário do país. A dinastia que a sucedeu após um período confuso e de ausência de uma família dinástica foi a Romanov, que era uma família de boiardos. Então, nesse casarão viviam os parentes do czar/imperador. O casarão fica bem perto da Praça Vermelha e do kremlin de Moscou. Ou seja, quando o imperador queria fazer uma visita aos parentes ou vice versa, era só dar uns passos e já estavam em família.

Petchka, a antiga mistura de forno e aquecedor 
Segundo pude ver no ingresso, ele faz parte de um circuito histórico de museus que inclui o Museu Histórico Estatal e a Basílica de São Basílio, ambos na Praça Vermelha e que já tive a oportunidade de visitar. Não sei se há uma ordem especifica para visitá-los, mas não acho que isso comprometa o seu passeio de alguma forma. As instalações são independentes uma da outra e imagino que eles estejam agrupados por mostrar as diversas fases da evolução da Rússia como país e dos setores mais altos da sociedade.

Agora falemos especificamente sobre o museu que está lá instalado. A porta de entrada dá para um corredor. Seguindo para a direita você tem seus ingressos verificados e pode deixar seus casacos, mochilas ou qualquer outra coisa que estiver carregando. Lá também te darão algo que só vi aqui até agora: saquinhos plásticos com um elástico na abertura. Você enfia seu pé com sapato e tudo neles. Isso serve para você não sujar o piso, principalmente no inverno e primavera, quando as ruas podem estar bem sujas. Feito todo esse rito você volta pelo mesmo corredor que veio, passa pela porta de entrada e segue, virará à direita e depois à esquerda, onde há uma escada que serve para você subir para o museu. O banheiro (são dois e bastante decentes) ficam ao lado da escada. Do lado oposto a entrada do banheiro há um recorte na parede onde dá para ver um pouco da parede do prédio, toda de tijolos vermelhos.

As estreitas escadas da casa
Subindo as escadas você chega ao lugar onde os Romanov faziam suas refeições. Tudo está posto de uma maneira que parece que eles chegarão para comer daqui cinco minutos. A mesa é bem baixa e as pessoas sentavam-se quase no chão. Essa grande sala de jantar tem dois anexos pequenos. Não sei para que eles serviam, talvez eram a dispensa e a copa, algo assim, mas hoje são usadas para expor alguns utensílios da família, principalmente os que têm alguma relação com comida. Tudo bem interessante e escuro. Fotos nesse lugar são difíceis de tirar, por causa da luz e honestamente não me lembro se pode usar flash lá, mas acho que não. Logo ao lado da porta pela qual você entrou nesse cômodo há uma outra, por onde você deve entrar para continuar o passeio.

Escritório de trabalho de um Romanov
Essa porta é estreita, baixa e ela leva a uma escada ainda mais estreita e mais baixa e com degraus mais altos que o normal. Cuidado aqui porque se você escorregar e cair, não há nada que possa te ajudar a evitar uma queda feia. Se você é dos que tem o corpo mais avantajado, talvez tenha algum problema para ir ao andar de cima. Acredito que um lutador de sumô ou um jogador de basquete não poderia subir aquela escada. Passando essa fase, você chega a dois quartos. O primeiro deles é o que se poderia considerar uma sala de estar, com uma mesa, cadeiras e apetrechos para tomar um chá. Essa sala tem uma porta lateral que leva ao segundo quarto, que é menor e têm duas máquinas de tear rudimentares. Não sei quem as usava, talvez as mulheres da família, para fazer seus bordados e mostrá-los a czarina e que seriam usados no palácio imperial.

Para sair desses quartos, você precisa descer uma outra escada daquelas que você usou para chegar a esse andar. E ainda pior que ela faz uma curva. Não sei porque faziam escadas tão apertadas assim, talvez para economizar espaço na casa, não sei. O fato é que é difícil subi-las e descê-las. Essa escada leva a mais outros quartos, que eram usados como salas de estar, biblioteca, escritório e outros aposentos. Depois disso você volta ao primeiro lugar onde entrou para pegar seus pertences e ir embora.

É isso amigos. Visitei esse lugar já há quase seis meses, mas só agora consegui finalizar o post sobre ele. Ele é pequeno e a visita é rápida, mas seguramente vale a pena. Até a próxima!
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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Algumas superstições russas

superstições russas
Ela diz "O Господи!", que significa "Oh, meu Deus!"
Olá amigos. Já falei anteriormente sobre 8 diferenças entre Brasil e Rússia, mas agora vou falar de algo igual, mas diferente: as superstições dos russos.

Apesar de todo o tempo sob o governo soviético, que não só desencorajava como também combatia, além da religiosidade, as superstições, elas já vem de muitos anos e ninguém já se lembra mais de onde elas podem ter aparecido. Mesmo vivendo em tempos da "verdade científica" ainda há muitas crenças e superstições na mente dos russos. Considero isso uma das coisas que os brasileiros e russos têm mais em comum.

Vou listar abaixo 10 dessas superstições:


01 - Nunca assoviar dentro de casa: os jovens já não se importam mais muito com isso, mesmo que os incomode (por um motivo que "eles não podem explicar"). Nunca assovie na casa de alguém mais velho. Se você fizer isso, a superstição diz que nunca mais você terá dinheiro na vida.

NÃO ASSOVIE!!
02 - Não jogar o lixo fora à noite: segundo a tradição, se você deixar para jogar o lixo fora à noite, você para sempre ficará pobre. Minha sogra sempre brigava com a minha esposa por causa disso quando ela era criança.

03 - Não demonstrar golpes, cortes ou pancadas violentas em si ou nos outros por perto: se você está explicando sobre algo que aconteceu ou uma suposição de algum golpe, enforcamento, tiro qualquer coisa, não demonstre nada disso em você ou no seu interlocutor. Os russos não gostam nem um pouco disso. Se acabar fazendo, é necessário passar a mão sobre o local "atingido" e depois soprar tudo isso pra bem longe (mas claro, não na direção de outra pessoa).

04 - Não se pode comer olhando para um espelho: de acordo com o costume, se você comer enquanto se vê em um espelho ou qualquer coisa que reflita, você retira para sempre a sua possibilidade de ter beleza e saúde. Se não me engano, já ouvi algo parecido no Brasil.

05 - Não passar por cima de alguém que esteja deitado: se alguém (principalmente uma criança) estiver deitada em algum lugar (cama, grama, praia etc.) e você pular por cima dela, ou apenas passar a sua perna por cima para "vencer o obstáculo", ela nunca mais vai crescer. Também acho que temos algo assim no Brasil. Mas, se não me engano, no Brasil, se você pular ou passar de volta, você devolve o dom do crescimento à criança. Na Rússia não. Uma vez que passou, já era.

06 - Não pôr as chaves na mesa: senão você vai brigar com a sua família.

Uma dúzia de rosas? NEM PENSAR!!
07 - Não apertar a mão, abraçar, beijar ou dar alguma coisa na mão de uma pessoa que está do outro lado da soleira da porta: isso, segundo as crenças populares, faz as pessoas brigarem e cortarem relações, já que se coloca uma linha entre elas.

08 - Não se pode pegar flores ou frutas no cemitério: os mortos não gostam disso. Mas acho que isso não é aceito em nenhum lugar.

09 - Nunca dê flores em número par: as pessoas somente dão flores em número par nos funerais. Se vai dar uma flor para alguma mulher (e esse é um bom presente para uma russa), dê sempre um número ímpar. Mesmo que discretamente, elas contam. E se tiver um número par (12, 24, 76, 98...) ela se sentirá muito mal e ficará decepcionada contigo. Na verdade a pessoa pode pensar que você quer que ela morra.


10 - Uma mulher solteira não pode sentar na esquina da mesa: senão, ela nunca vai se casar.

É isso por enquanto amigos. Existem mais superstições russas que não couberam aqui (a lista ficaria enorme). Se quiser saber algo mais, só deixar o comentário auqi embaixo e não se esqueça de se inscrever no blog para receber as atualizações. Até a próxima!
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