segunda-feira, 20 de junho de 2016

Tver: minha primeira decepção na Rússia

Olá amigos! Nas férias de janeiro estivemos em Tver duas vezes, mas só resolvi escrever sobre esse lugar agora. Olha só o que encontramos por lá.

Moscou (embaixo e com pontos vermelhos) - Tver (lá em cina)
Para começar, Tver (Тверь) é uma cidade antiga (foi fundada em 1136) e fica a noroeste da capital russa. No passado ela era uma cidade muito rica e poderosa por conta do comércio, que era favorecido por sua posição estratégica, bem no meio do caminho entre Moscou e Veliky Novgorod, as duas cidades mais importantes do território russo na idade média, quando a Rússia ainda não era um país unificado. Os comerciantes de Veliky Novgorod passavam por Tver e sempre faziam negócios com os locais e depois rumavam para Moscou. O mesmo se dava na rota inversa. Além disso, os comerciantes de Novgorod iam até bem ao sul, já na Grécia, para fazer negócis e sempre tinham em Tver um ponto para fazer mais alguns negócios. Ironicamente, Tver teve a mesma sorte que Veliky Novgorod quando Ivã IV, o Terrível chegou ao poder: a cidade foi brutalmente tomada de assalto e incorporada contra sua vontade à Rússia unificada sob o comando de Moscou. Em 1931 a cidade foi renomeada para Kalinin (Калинин), que é o nome de um importante revolucionário soviético que está inclusive enterrado na necrópole do kremlin de Moscou. Em 1990 a cidade retomou seu nome antigo e desde então se mantem como Tver.
Lastotchka que faz o trajeto Moscou - Tver
Chegar lá não é tão difícil. Você tem diversos ônibus que atendem essa rota e a viagem dura de duas horas e meia a três horas. Você também pode ir de elektrichka, que é o trem para distâncias médias da Rússia. Como ela para em diversas estações, a viagem dura cerca de 2 horas e 40 minutos. Ela custa mais ou menos 370 rublos. A opção que usamos e que eu recomendo é ir de Lastotchka (Ласточка) que é o trem rápido semi-expresso para Tver. Ele é muito mais confortável e mais vazio que a elektrichka, além de ter banheiro. Ele para em apenas 3 estações na rota Moscou-Tver e em 7 no sentido contrário. Com isso, o tempo de viagem diminui para uma hora e trinta minutos. O preço é de 480 rublos, mas vale a pena pagar mais caro por ele. Essa Lastotchka pode atingir até 150 km/h, mais que o dobro de uma elektrichka.

O bonito teatro de drama de Tver
Falando de Tver propriamente dita, eu diria que foi o primeiro lugar onde eu me decepcionei na Rússia por dois fatores principais. Primeiro porque é muito caro hospedar-se por lá (os hoteis eram todos acima de 3500 rublos por diária), mas isso dá para contornar. Segundo,m e principal motivo, quando você consulta as atrações da cidade pela internet, como o museu da região de Tver (Краеведческий музей) e outras coisas mais, você simplesmente descobre que elas mudaram de lugar quando você chega nelas. E nem sempre o novo endereço está indicado. Quando está, é normalmente para um lugar muito longe de onde era o original. Ou seja, se você está consultando as atrações de lá, tenha muito cuidado, porque você pode ser surpreendido. Uma das poucas coisas que continua no mesmo lugar é o teatro de drama, que é bem grande e bonito, mas, se você não vai assistir nada nele, você só ve as portas e fachada, onde dá para tirar uma foto. Ali perto há um enorme prédio que na data da minha visita (janeiro de 2016), estava fechado e em reformas. Ao lado desse prédio em reformas (que, se me lembro bem, era um palácio da imperatriz Catarina II, a Grande) está o estádio do Volga de Tver, que está na terceira divisão do campeonato russo de futebol. Ele estava aberto e dava para entrar, mas tinha neve para todo lado, então, não tinha nada acontecendo por lá.

O "governo" retirando pescador do Volga congelado
A melhor coisa que fiz por lá foi atravessar a pé o rio Volga, o mais longo da Europa, de uma margem a outra, já que ele estava totalmente congelado. Mesmo que em alguns pontos o gelo parecia mais fraco e até estalava, deu para passar por ele numa boa. Ainda perto da margem do Volga há uma igreja com sinos e um monumento a um cara chamado Afanasi Nikitin (Афанаси Никитин), que ia à Índia em tempos muito antigos para trazer especiarias e relatava que lá ele viu pessoas com cabeça de cachorro (quê?) e outras loucuras mais. Além disso, vi uma enorme igreja em estilo ortodoxo que fica bem ao lado da estação de trem da cidade. Não cheguei a entrar nela, mas já imagino o que iria encontrar lá dentro, já que visitei muitas igrejas por aqui. Usei também o serviço de bondes, que é bem moderno e legal por lá. Os ônibus são apenas mais ou menos, como os de Tomsk. Perto da estação tem restaurantes de diversos cardápios, incluindo fast foods... enfim, não tenho muito o que dizer sobre a cidade porque as coisas que eu procurava haviam sido movidas para outros lugares e eu nem tinha ideia para onde foram. 

Acho que é isso amigos. Não tenho muito o que dizer sobre Tver, porque realmente não fiz muito por lá. Se você mora, está ou já esteve por lá, comente aqui e me diga o que eu perdi. Gostaria de mudar a má impressão que tive da cidade, se possível. Até a próxima!

6 comentários:

  1. Esse artigo sobre Tver foi tão esperado! :-D Quando lembro das nossas aventuras em Tver, fico feliz que pelo menos saimos logo. Acho que no verão essa cidade deve ser melhor, mas já não estou com muita vontade.

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  2. Olá, meu nobre!

    Bom saber. Tomaremos nota deste artigo quando formos visitar a Rússia. Fico imaginando a cara de medo da Natália ao atravessar o rio congelado a pé...
    Mas, e você? Não ficou receoso em nenhum momento?
    Pretendem voltar lá no verão para ver se as coisas melhoraram?

    Bom, é isso. Abraço e até a próxima!

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    1. Olá Kleber!

      Bom, com receio fiquei sim, mas não queria mais voltar. E vi algumas pessoas em diversas partes do rio, então, achei que não iria acontecer nada.
      Bom, achoq ue não vamos voltar lá não. Não vale a pena. Melhor ir para um lugar inédito que insistir em um que não gostamos e não fazemos tanta questão assim.

      Grande abraço e пока!

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  3. Queridos tomem cuidado ao atravessarem rios congelados. Perdi um amigo há dois anos na Rússia. Tinha acabado de chegar lá para estudar e logo de cara foi atravessar um rio que se abriu e não conseguiram resgatá-lo. Voltou ao Brasil para seu sepultamento. Filho único que deixou um vazio imenso de dor.

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    1. Olá Meire. Sinto muito por saber do seu amigo. Mas os russos são bastante experientes nisso. Eles sabem quando pode ou não andar em um rio congelado. Mas sim, não vale a pena cometer a imprudência de andar no gelo sem conhecer bem como se faz porque, se ele se romper, é fatal. Não dá para resgatar quem caiu. Obrigado pela visita.

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